Ele me deixa louca, porque é
exatamente como você, como você ele tem o poder de ser a cura, o
veneno, a morte, ele me faz pensar em você, e lembrar de mim em um
tempo que tudo era intenso e febril demais pra que eu conseguisse
manter o controle, eu nunca tive o controle enquanto você estava
aqui, e eu o perdi de novo quando voltei a te querer
aqui.
Você e todas as suas
loucuras, e toda sua fome por coisas tão patéticas, você que mesmo
sendo tão fútil e bobo e sem noção do quanto consegue machucar e
incomodar alguém, tem algo que me prende, que me puxa, que faz de
você tão perigoso e tão necessário ao mesmo tempo.
Eu não sei como eu
não aprendi ainda, depois de tanto tempo, de tantas vezes, de
tantas recaída é um sinal de tanta inocência e burrice minha.
Porque me aproximar de novo, se eu sei que não aguento estar por
perto, sem precisar de novo de você entrando e criando raízes nas
minhas vontades e pensamentos, porque não me satisfazer com o que
me toca tão suavemente, e partir pra algo que me arrasta sem pensar
nos arranhões e marcas que vai deixar pra sempre em mim. Porque
você?
É um fantasma, que
as vezes deixa minha casa em paz, que procura por outros lugares,
que sumindo me dá a sensação que acabou pra sempre, que eu posso
descansar, que está tudo bem, que nada mais vai me sacudir com
tanta força, que eu não vou mais ter medo de quebrar, mas de
repente volta, talvez pelo meu chamado, uma vozinha que sai de mim,
e nem eu posso realmente controlar.
Quando você volta
aos meus pensamentos, sem nem saber de verdade que retornou pra
mim, eu perco tudo que eu construí, eu deixo todos os meses que
passaram, eu deixo tudo que eu aprendi, tudo que eu planejei e me
tornei até agora, eu volto a ser a menininha, eu volto a ser
impulsiva, carente e sedenta, eu volto a te esperar, volto a
arrancar as armaduras, volto a me sentir desprotegida, nua e de uma
forma inexplicável, eu volto a ser sua.
Eu não vou te
procurar, eu não vou pedir nada dessa vez, eu não vou tentar chamar
sua atenção, eu não posso fazer isso agora, não depois de tudo,
depois de tanto amor que eu recebi enquanto você estava por aí tão
longe de mim, mesmo que o corpo queime, que a cabeça
enlouqueça, que a carne clame, eu não posso pedir que
volte pra mim, mesmo que sua volta seja sempre tão torta e nunca
consiga saciar verdadeiramente a sede que eu tenho de você, e nunca
passa, eu quero, mas não posso, e eu me culpo por querer, e me
culparia ainda mais se seguisse em frente, eu não seguirei, mesmo
que doa, mesmo que eu sinta que alguma teria que acontecer, senão
não seria tão forte em mim, eu não posso insistir nisso, eu não
posso machucar ninguém, eu não posso abandonar tanto por quase
nada, da minha forma eu sempre vou te amar, mas a forma certa de
agir agora é abandonar, deixar, partir, pra sempre.